União faz a força em caso de sucesso na Agricultura Familiar
7 de novembro de 2011 - 03:00
A iniciativa de dois agricultores familiares vem chamando a atenção da atividade produtiva no município de Quixeramobim, sertão central do estado. O caso de sucesso está ocorrendo na Fazenda Passagem das Pedras, distrito de São Miguel, distante 32 km da cidade de Quixeramobim. Os protagonistas são dois agricultores, Roberto Leite Cavalcante, 40 anos e Hélio Batista de Oliveira, 59 anos, genro e sogro, respectivamente. Proprietários por herança de um minifúndio rural com a dimensão de dois hectares, há seis meses resolveram por conta e risco próprios cultivarem tomate irrigado, variedade faccini, tomando como experiência a produção alcançada com o Pingo D’água, no vale do Rio Forquilha.
Conta o agricultor Roberto Cavalcante que o investimento inicial custou para eles à importância de R$ 6.000,00 (Seis Mil Reais), necessários ao preparo da terra, pagamento das horas de trator; a compra da semente e insumos necessários a produção; kit de irrigação com canos e as mangueiras que levam a água de uma barragem construída no leito do Riacho Caraúna, até aos oito mil pés de tomate, que são irrigados pelo sistema de gotejamento, além de contar com a feste-irrigação. “Iniciamos esse trabalho somente com a cara e a coragem, compramos tudo fiado; no inicio tivemos prejuízos por conta das fortes chuvas que inviabilizaram a produção; não desistimos, fizemos o segundo plantio e graças a Deus, está tudo indo muito bem”, comemora Roberto.
Toda a produção do tomate está sendo comercializada na Ceasa, ao preço de R$ 32,00 (Trinta e Dois Reais) a caixa de 25 kg. Até a primeira semana de novembro já foram colhidas cerca de 750 (setecentas e cinqüenta caixas) e ainda há uma projeção para colher mais 1.250 (Um Mil Duzentas e Cinqüenta) caixas. De acordo com o agricultor Hélio de Oliveira, carinhosamente chamado de “vovô do tomate”, a primeira vez que levaram tomate para o Ceasa, a carga rendeu a importância de R$ 6.750,00 (Seis Mil Setecentos e Cinqüenta Reais), o suficiente para liquidar o investimento. “Estamos esperando que até o final da safra a gente consiga apurar com a venda do tomate, algo em torno de R$ 64.000,00 (Sessenta e Quatro Mil Reais), com esse dinheiro vamos reinvestir na atividade”, explica o vovô do tomate.
A dupla de agricultores tem na Ematerce uma parceria de primeira hora; além da assistência técnica está sendo fornecida a custo zero para os agricultores, caixas plásticas destinadas a coleta e ao transportes dos tomates até o destino final. O presidente da Ematerce, Engrº Agrº José Maria Pimenta, no último final de semana esteve visitando o plantio e ficou satisfeito com a organização, bem como a alta produtividade e a qualidade do tomate produzido. “Estou testemunhando mais um caso de sucesso na agricultura familiar, reforçando cada vez mais que estamos no caminho certo, priorizando nossas ações para a agricultura familiar; esse é o resultado positivo da política de governo, que não mede esforços para apoiá-los na produção, reforçando o Estado do bem estar social implantado no Ceará”, comentou Pimenta.
A união faz a força
A dupla de agricultores vem utilizando uma pratica que vem dos antepassados, quando na época da colheita do milho, feijão, algodão, arroz e nas farinhadas, tudo era resolvido na base do mutirão, também conhecido como adjunto. No inicio do século passado, geralmente as famílias que moravam no campo eram numerosas, para suprir a mão-de-obra necessária para tocar os serviços da agricultura e da pecuária, além das atividades domesticas. Duas vezes por semana, quando da colheita, Roberto e Hélio estão se valendo dos parentes mais próximos para ajudarem na colheita do tomate. No domingo passado vieram 20(vinte), trabalharam até o meio dia para colherem 200 caixas. “Depois do trabalho a gente se reúne na minha casa e comemora como nos velhos tempos; compro carne de gado bem gorda com osso e mando minha mulher cozinhar e depois fazer um pirão bem forte, que comemos com arroz e feijão, depois a gente bebe um refrigerante e vai todo mundo para suas casas, com a promessa de voltar novamente para formarem o time campeão na solidariedade para atuar na próxima colheita” relata o vovô do tomate.
Crisanto Teixeira – Jornalista lotado no Escritório da Ematerce em Quixeramobim-Ce.