O Mundo virou depósito da China
7 de fevereiro de 2012 - 03:00
José Maria Pimenta – Presidente da Ematerce
Há mais de 200 anos o grande estrategista Napoleão Bonaparte falou que deixassem a China dormindo porque se ela acordasse iria dominar o mundo. Este despertar começou na década de setenta quando os Estados Unidos depois de eleger Nixon como presidente determinou a outro estrategista contemporâneo Henry Kissinger que começasse uma aproximação lenta e gradual com
a China. Com certeza, Nixon já cobiçava naquela época um mercado de mais de um bilhão de habitantes, para vender produtos com a marca “made in USA”. Esqueceram eles que os chineses, há mais de mil anos, já tinham inventado a bússola, a pólvora, o astrolábio e o sextante.
Com esta abertura e aproximação, a China abriu as suas porteiras para que centenas de milhares de estudantes chineses viessem se aperfeiçoar nas universidades norte-americanas e buscassem o conhecimento para sedimentar o estupendo crescimento pelo qual passa aquele país. Felizmente nossa presidente está copiando esta ideia e mandando os nossos estudantes e pesquisadores para as melhores universidades estrangeiras para assegurarmos a nossa independência tecnológica e científica.
A grande realidade é que o Dragão de três cabeças, que é o símbolo da China, está assombrando o mundo, porque uma delas engole energia, a outra engole matérias primas e a terçeira vomita produtos industrializados, inundando o mundo com mercadorias a preços deprimidos por conta de um sistema de produção de altíssima escala, mão de obra barata, disciplina e a ajuda de um cãmbio fictício.
Diante deste quadro e da nova ordem econômica, o Brasil tem levado vantagens por conta da sua agricultura moderna e do minério de ferro que fez com que a nossa economia se complementasse com a chinesa, tornando aquele país o maior importador de nossos alimentos e dos produtos exportados pela Vale do Rio Doce.
Mesmo assim, é preciso colocarmos as nossas barbas de molho, pois os chineses estâo invadindo o continente africano, arrendando e comprando terras agricultáveis e tentando se familiarizar com o que há de mais moderno na agricultura brasileira, que é agricul
tura de precisão, o plantio direto e a automação dos equipamentos, para num curto espaço de tempo se libertarem também das importações de produtos agrícolas.
É com esta visão que pode até ser míope, mas que se não tomarmos cuidado, o mundo, além de se tornar um depósito de produtos industrializados “made in China”, passará a ser também um grande armazém de produtos agrícolas produzidos pelos chineses.
José Maria Pimenta – Presidente da Ematerce
Obs. Artigo publicado, no dia 7 de fevereiro de 2012, na página OPINIÃO do Jornal O POVO.
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