Fortaleza: Ematerce presente à Audiência Pública do Leite
13 de agosto de 2012 - 03:00
A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, através da Comissão da Agropecuária, presidida pelo deputado Hermínio Resende, promoveu audiência pública, na sexta-feira, dia 10 de agosto, com a finalidade de colher subsídios necessários aos trabalhos da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento da Câmara dos Deputados. De Brasília, vieram quatro integrantes da referida comissão: o presidente, deputado federal pelo Ceará, Raimundo Gomes de Matos, o vice-presidente Domingos Sávio, o relator Alceu Moreira e o membro Carlos Magno.
Presidente da Ematerce apresenta sugestões e propostas, para melhorar a política nacional
da cadeia produtiva do leite.
O secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA), Nelson Martins, acompanhado do presidente da Ematerce, Engº Agrº José Maria Pimenta, representaram Governo do Ceará. O setor da pecuária de leite cearense esteve representado pelo presidentes da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), respectivamente Flávio Saboya e Anysio Carvalho, além de empresários do ramo do leite, como Luiz Prata Girão e Bruno Girão; o diretor do Dnocs Valcimar Gomes Loyola; o secretario executivo do Ministério da Integração, Ramon Rodrigues, representantes da Codesvasf e Embrapa, respectivamente Solon Braga e Elisabete Nogueira.
No transcorrer da audiência, foram apresentadas várias sugestões e propostas, encaminhadas à Comissão da Câmara Federal, visando melhorar a política nacional da cadeia produtiva do leite:
01 – estender o horário sazonal da energia elétrica para as atividades produtivas rurais das 6 às 12 horas;
02 – disponibilizar linha de crédito específica para modernização da cadeia produtiva do leite, com destaque para o Nordeste em atividade irrigada;
03 – implantar um Programa Nacional de Assistência Técnica específico para a cadeia produtiva do leite;
04 – definir uma política de ocupação, pela cadeia produtiva do leite, nos perímetros públicos irrigados (Dnocs e Codevasf);
05 – implantar o Consuleite ou um modelo equivalente para a análise de custo mensal da produção de leite;
06 – estimular a implantação das Câmaras Setoriais do Leite e/ou entidades representativas da produção leiteira no Nordeste;
07 – implantar, pela Conab, um programa de estoques reguladores de grãos, na região Nordeste, principalmente, nas áreas produtoras de grãos nos Estados do Piauí, Maranhão e Bahia;
08 – implantar armazéns centrais estaduais, através da Conab, para a estocagem de grandes volumes de grãos;
09 – ampliar o número de postos do sistema “venda balcão” da Conab, reestruturando as infraestruturas, equipamentos e recursos humanos adequados para o recebimento, armazenamento, distribuição e venda de grãos, nos Estados do Nordeste;
10 – implantar o “Programa de Segurança Alimentar Animal”, conforme modelo criado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará – FAEC – assegurando o fornecimento de volumoso (silagem e/ou feno) aos animais, mediante a sua contratação com o ‘Seguro Alimentar’, a ser instituído pelo Governo Federal;
11 – implantar o “cartão de crédito rotativo do BNDES” para investimento e custeio das atividades produtivas do produtor de leite;
12 – instituir o preço mínimo do leite em nível do produtor;
13 – ampliar as compras governamentais dos produtos lácteos para os programas sociais;
14 – Criar o fundo leite com a participação do governo e dos integrantes da cadeia produtiva do leite;
15 – ampliar o programa de controle e erradicação da ‘Brucelose e da Tuberculose’, com garantia de indenização governamental;
16 – implantar o laboratório de análises do leite no Estado do Ceará;
17 – criar um programa de ‘marketing’ para o aumento da produção e do consumo de leite, com a realização de campanha nacional;
18 – fomentar as instituições para a realização de pesquisas das espécies forrageiras específicas para o Nordeste;
19 – transformar o Centro da EMBRAPA Caprinos e Ovinos de Sobral no Centro de Pecuária do Nordeste;
20 – implantar um Programa de Melhoramento Genético – TE, FIV, Marcação Molecular e tecnologia do índice de desempenho dos reprodutores – teste de Progênie;
21 – implantar um Programa Nacional e ou Regional de capacitação na atividade leiteira, em parceria com o Senar, inclusive de convivência com o semiárido;
22 – implantar o Programa de Melhoria da Qualidade do Leite, atendendo os ditames da instrução normativa 62, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.

Deputados Federal e Estadual e autoridades de vários segmentos do setor agropecuário na
Audiência Pública sobre a Cadeia Produtiva do Leite.
Para o presidente da Ematerce, Engº Agrº José Maria Pimenta, o Governo do Estado possui, no município de Quixeramobim, um centro de treinamento rural, localizado na Fazenda Normal, que serviria como instrumento de apoio e infraestrutura, capaz de atender as propostas apresentadas pela FAEC. “Recentemente, o governador Cid Gomes inaugurou as obras de reforma e ampliação da Fazenda Normal, importante centro de disseminação de ensino e pesquisa agropecuária, no interior cearense, e que daria muito bem, para, através da parceria, entre o Governo e o produtor, sua utilização como sala de aula para o ensino universitário, bem como para cursos técnicos por meio do Senar”, defende José Maria Pimenta.
Por outro lado, o empresário Luiz Prata Girão sugeriu a produção de forragem pelo sistema de pastejo rotacionado irrigado, como alternativa viável para o incremento da produção de leite. Segundo Luiz Girão, a seca já não apavora mais o cearense; a irrigação, a educação no campo e a organização dos produtores são excelentes alternativas para resolver a convivência com a estiagem no semiárido. “Na atualidade duas coisas não se admitem mais no setor produtivo; a primeira é colocar indivíduos que não entendam de agricultura e pecuária como secretário de agricultura das prefeituras, e a segunda é fazer agricultura de sequeiro, isso está ultrapassado e vimos que é o caminho mais curto para o agricultor alcançar o prejuízo; é melhor jogar no bozó, que investir o dinheiro na agricultura de sequeiro”, concluiu Luiz Girão. Crisanto Teixeira – Jornalista lotado no Escritório Regional da Ematerce em Quixeramobim – Ceará.
Assessor de Comunicação e Ouvidor
Jornalista Antonio José de Oliveira – antonio.jose@ematerce.ce.gov.br
Fone 85.3217.7872