Agroecologia e Meliponicultura
1 de outubro de 2012 - 03:00
A Agroecologia é a Ciência que revela os conhecimentos, que possibilitam o desenho de sistemas agrícolas, que procuram minimizar os impactos ambientais e, ao mesmo tempo, promovem a sustentabilidade econômica e social da agricultura. Em cada espaço natural, com base no solo e no clima, a evolução, no transcurso de milhões de anos, arquitetou o ambiente que nós vemos, hoje, mas que não conseguimos enxergar. A biodiversidade, em um local, expressa a maneira mais acertada que a natureza encontrou para o estabelecimento e permanência da vida nesse local. Cada animal, cada planta, por maior ou menor que sejam, são responsáveis pelo equilíbrio do sistema. A agroecologia instiga o homem a desenvolver suas atividades agrícolas em harmonia com os sistemas naturais. Nas regiões tropicais do planeta, a natureza nos brindou com a existência das abelhas sem-ferrão, como integrantes dos sistemas naturais, como seus polinizadores específicos. No Brasil, são mais de 300 espécies diferentes, adaptadas aos mais diversos ecossistemas. Na Ibiapaba, existem mais de 20 espécies de abelhas sem-ferrão. Em um raio de apenas 15 Km, encontramos três ecossistemas, cada um com sua rainha: a Uruçu do Chão, no Carrasco; a Uruçu Amarela, na Zona Úmida; e a Jandaíra no Sertão (pé da serra).
Uruçu do Chão (Melipona quinquefasciata), Uruçu Amarela (Melipona rufiventris) e Jandaíra (Melipona subnitida).
Elas estão sendo dizimadas, em seus reinos, pela ação inconseqüente do homem. Essas espécies já foram criadas domesticamente por nossos antepassados, que sabiam viver, como elas, com pouco. Hoje, todo mundo quer mais, num mais sem limites, não importando o que está sendo destruído, desde que possa ser transformado, rapidamente, em dinheiro. Nesta lógica, a árvore, morada natural das abelhas sem-ferrão, se transforma em mourão de cerca, lenha para as fornalhas, carvão para churrasco, cinzas para o roçado. Toda intervenção agroecológica, em qualquer paisagem, deve incluir estratégias, para proteger os polinizadores naturais, em especial, as abelhas sem-ferrão. As três espécies de abelhas sem-ferrão, citadas, além de serem as mais belas, podem ser criadas, racionalmente, produzindo, em média, 2 litros de mel por caixa/ano. Um mel vendido a um preço até dez vezes maior, que o mel das abelhas africanas, com sabores e aromas incomparáveis. Ao mesmo tempo, essas abelhas continuariam no seu trabalho incansável de polinizar as nossas plantas. Mas para isso, é preciso, primeiramente, reconhecer a nossa natureza humana e o nosso verdadeiro lugar, nos ecossistemas, para poder conhecer a natureza das abelhas sem-ferrão.
F. A. Macambira
Extensionista
Ematerce – Ibiapaba
Assessor de Comunicação e Ouvidor
Jornalista Antonio José de Oliveira – antonio.jose@ematerce.ce.gov.br
Fone 85.3217.7872