Sertão-Central: Ematerce entrega sementes do Hora de Plantar
25 de fevereiro de 2013 - 03:00
Depois de um intervalo de sete meses, as chuvas voltam a molhar o Sertão-Central do Estado do Ceará, uma das áreas mais secas do semiárido nordestino. O retorno das chuvas trouxe também a esperança para o homem do campo, que amarga prejuízos, fome e sede, com a seca de 2012, considerada pelos estudiosos como a mais severa dos últimos 50 anos. O agricultor, independentemente da idade que tenha, quando caem as primeiras chuvas e molha a terra árida, anima-se, criando a esperança da colheita de uma safra, que venha suprir suas necessidades para os próximos meses. Antes, o próprio agricultor fazia seu banco de sementes, guardando as de melhor qualidade para o plantio no ano seguinte.
Presidente da Ematerce na entrega de sementes aos agricultores.
Com a finalidade de aumentar a produção, além de obter melhor rendimento, em menor espaço de tempo e condições pluviométricas menos favoráveis, as políticas públicas, voltadas para o setor rural no Estado do Ceará, implementou, no final do século passado, programas de assistência técnica e o fornecimento das sementes ao agricultor familiar no Ceará. Esse programa já passou por várias denominações. Começou como ‘Arrancada da Produção’ e hoje é tratado como “Hora de Plantar”, que entrega, a cada inicio de ano, sementes selecionadas ao agricultor familiar, assistido pela Ematerce, e que, se o ano for de boa produção, ele paga um valor simbólico ao Governo; porém, se for seca, como ocorreu, ano passado, são dispensados desse pagamento.
Agricultores são orientados, quando recebem as sementes, a plantá-las
corretamente.
No sábado, dia 23 de fevereiro, a Ematerce – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará – escritório regional de Quixeramobim, está concluindo a primeira fase da entrega das sementes de milho, feijão, sorgo forrageiro, mamona e palma forrageira aos agricultores da região do Sertão-Central, que compreende os municípios de: Quixeramobim, Quixadá, Banabuiú, Choró, Ibaretama, Senador Pompeu, Milhã, Pedra Branca, Mombaça, Piquet Carneiro, Deputado Irapuan Pinheiro e Solonópole. No armazém regional de Quixeramobim, foram estocadas, neste ano, cerca de 255 toneladas de sementes selecionadas, afora 131 mil raquetes de palma forrageira.
O município de Quixeramobim é o que possui, na região, maior contingente de agricultores familiares, em torno de 3.852 aptos a participarem do programa governamental. De acordo com o gerente regional da Ematerce, Albany Rangel Rolim, a entrega das sementes está sendo feita, no início da estação chuvosa, mas que os agricultores devem aguardar as condições propícias de umidade do solo, para que sejam plantadas, evitando assim a perda e, consequentemente, o replantio. A Ematerce vem também alertando os agricultores, que participam do programa, para evitarem dar outro destino às sementes, como a venda para terceiros, ou até mesmo como ração animal. “O agricultor não deve dar outro destino às sementes, devendo, assim, fortalecer o programa, pois o Estado do Ceará é o único, no país, que adota essa política pública de incentivo ao homem do campo”, destaca Albany Rangel.
Agricultores receberam a semente e agora pedem chuva
Os agricultores, participantes do Programa Hora de Plantar, em Quixeramobim, já de posse das sementes, agora apelam para que as chuvas, caídas no inicio do ano, continuem a molhar a terra. De acordo com a Ematerce, na cidade de Quixeramobim, os índices de pluviometria estão abaixo do ocorrido, em 2012, que totalizaram, em janeiro e fevereiro, 98,6 mm. Em 2013 – janeiro e fevereiro (até o dia 22), choveu 85,9 mm. Em todo ano de 2012, quando foi verificada impiedosa seca, choveu, em Quixeramobim, apenas 270,2 milímetros.
O agricultor Antônio Alaíres da Rocha, 37 ano,s casado, residente na Fazenda Santa Isabel, não perdeu tempo; assim que as chuvas molharam a terra, veio logo receber as sementes. Conta Antônio que, numa área de três hectares, vai plantar 40 quilos de milho hibrido e que será destinado à alimentação de 30cabeças de gado, que conseguiu salvar da seca ano passado. Na Fazenda Tingui, o agricultor Antônio Vanderlei Inácio de Sousa preparou a terra, utilizando a tração animal, uma prática usada desde a idade média. Conta Antônio de Sousa que prefere arar suas terras, com a tração animal, pois assim não vai depender de trator, além de estar praticando uma atividade aprendida com seus pais para preservar a terra.
Enquanto isso, a agricultora Antônia Isaura de Sousa, 47 anos, solteira, residente na Fazenda Oiticica, pelo segundo ano, recebe as sementes em Quixeramobim. Conta a agricultora, que, no ano passado, perdeu tudo o que plantou, mas que não perdeu a esperança, e, neste ano, levou 40 quilos de sementes de milho, que, segundo a agricultora, a produção será para alimentar sua criação de galinhas caipiras e pequenos animais, como cabras e ovelhas. Quem também disse estar otimista com a possibilidade de colher uma boa safra foi o agricultor João Batista da Rocha, 56 anos, casado, residente na Fazenda Castelo, que recebeu do programa 20 quilos de milho e 20 de feijão. “Ano passado, por conta da seca, me vi obrigado a vender minhas cinco vaquinhas, para não vê-las morrer de fome no meu terreiro; estou otimista, nesse ano, e vou arriscar, plantando milho, e com as economias que fiz vou comprar outras vacas e, assim, continuar na atividade da pecuária, além de também ver se produzo o feijão nosso de cada dia, porque comprar feijão de sete e até oito reais o quilo, isso é um absurdo”, disse esperançoso João Batista.
Faltando feijão
Um dos produtos, que compõem a lista das sementes, entregues aos agricultores, o feijão Vigna (também conhecido como feijão de corda), por não ter em quantidade suficiente falta nos armazéns da Ematerce. De acordo com o presidente da Ematerce – Eengº Agrº José Maria Pimenta Lima, o Governo não encontrou, para comprar, as quantidades necessárias de feijão ao Programa Hora de Plantar, isso por conta da seca. Explica Pimenta que, por conta do preço, os produtores de sementes selecionadas preferem vender seus produtos ao mercado consumidor, -pelo preço de R$ 7,00 (sete reais) o quilo; enquanto para o Governo existem preços já acordados, ou seja: com a germinação, variando entre 80 a 85%, o preço é de R$ 5,00 o kg; com a germinação, variando entre 86 a 90% o kg, é comprado a R$ 5,20 e, se a germinação atingir acima de 90%, o preço máximo de compra do feijão é de R$ 5,40 o quilo. “O produtor, que vender seu feijão para o Governo, perderá dinheiro, por conta dessa Lei da oferta e da procura; tem outro agravante: tradicionae e culturalmente essa variedade de feijão só se encontra no Nordeste, exatamente onde ocorreu a seca; daí, não ser encontrado, em canto nenhum, o produto para a compra governamental”, explicou Pimenta. (Crisanto Teixeira- Jornalista DRT 2156).
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