SÉRIE METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS
8 de agosto de 2013 - 03:00
Engenheiro Agrônomo José Roberto Ribeiro Vieira.
Histórico (A Evolução da Ater )
Nas décadas de 60 e 70, prevalecia no mundo a concepção de desenvolvimento rural, que ficou conhecida como “Revolução Verde”, que preconizava uma Agricultura baseada na máxima artificialização dos sistemas produtivos, abusando do uso dos insumos químicos.
Os enfoques de desenvolvimento rural baseavam-se na transferência de tecnologias(difusionismo) e na ausência da participação dos beneficiários, tanto na elaboração como na execução dos projetos.
No Brasil, a Pesquisa e a Extensão rural, com créditos altamente subsidiados, foram utilizados para induzir o processo de modernização da Agricultura, com ações intensivas nas grandes propriedades rurais(difusionismo), culminando, após 20 anos,com grande sucesso no estabelecimento do AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.
Com a democratização do país, em meados dos anos 60, os serviços de Ater passaram a privilegiar a assistência técnica à Agricultura Familiar e a questionar os paradigmas da Revolução Verde, propondo um modelo de Agricultura alternativa, que busca produzir sem o uso de insumos químicos, preservando o meio ambiente.
Com a mudança do foco para a Agricultura Familiar, a Ater-Assistência Técnica e Extensão Rural passou a priorizar também a participação dos agricultores na elaboração e execução dos projetos, com o uso de METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS, onde o papel do técnico não é mais de convencer o agricultor, mas de vencer com ele, construindo juntos novas alternativas.
Informe 01 -A ESTRATÉGIA DE ATER PARA A AGRICULTURA FAMILIAR
Fundamentos (Uma Nova Abordagem )
A Proposta Estratégica de Ater para Agricultores Familiares, respaldada na Política de Assistência Técnica e Extensão Rural-Pnater- trata-se de um processo, em fase de implementação, cuja velocidade de avanço dependerá do grau de organização dos grupos e comunidades atendidos e da qualificação e comprometimento dos técnicos da Ater.
O fato é que os agricultores familiares não conseguem mais ficar sentados, para assistir a palestras e demonstrações técnicas de extensionistas-difusionistas, com temas alheios às suas realidades. Comprovamos isso ,quando ouvimos depoimentos de extensionistas, reclamando que os agricultores relutam em participar das reuniões técnicas da Ematerce.
Todavia,a situação pode mudar com a mudança da abordagem.
Na estratégia participativa, os extensionistas têm de , por intermédio de uma assistência técnica contínua e sistemática, debater e diagnosticar os problemas econômicos e sociais dos agricultores, identificar soluções compartilhadas e montar estratégias, para implementação das mesmas junto aos agricultores e grupos assistidos. Definidas essas estratégias participativas, os agricultores voltarão a frequentar, com assiduidade, as palestras e reuniões da Ater, que tratarão de problemas de real interesse dos grupos e comunidades rurais assistidas.
Somente a partir desta nova abordagem, a Ater poderá atingir os objetivos de inclusão social, contribuindo para o empoderamento e emancipação dos agricultores familiares
Na visão da Ater participativa, os extensionistas não podem mais repassar a tecnologia pela tecnologia, mas, sim, a tecnologia como uma solução adaptada para resolução de problemas debatidos e sentidos pelos agricultores.
Essa é a nova Ater!
José Roberto R.Vieira
Engo.Agrônomo da Ematerce
Articulador da Rede de Metodologias Participativas
doc. série metodologias participativas
06-08-2013
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