A ESTRATÉGIA DE ATER PARA AGRICULTURA FAMILIAR (continuação)

26 de agosto de 2013 - 03:00

SÉRIE  METODOLOGIAS  PARTICIPATIVAS / EXTENSÃO RURAL

 

Resumo Histórico (A Evolução da Ater )

 

Engenheiro Agrônomo José Roberto Vieira, lotado no escritório estadual da Ematerce.

 

Nas décadas de 60 e 70, prevalecia  no mundo a concepção de desenvolvimento rural, que ficou conhecida como “Revolução Verde”, que preconizava uma Agricultura baseada na máxima artificialização dos sistemas produtivos,  abusando  do uso dos insumos químicos.
Os enfoques de desenvolvimento rural  respaldavam-se  na transferência de tecnologias(difusionismo) e na ausência da participação dos beneficiários, tanto na elaboração quanto na execução dos projetos.
 

Com a mudança do foco para a Agricultura Familiar, em meados dos anos 60, a Ater(Assistência Técnica e Extensão Rural) passou a priorizar também a participação dos agricultores, na elaboração e execução dos projetos, com o uso de METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS, em que  o papel do técnico não é mais o de convencer o agricultor, mas o de vencer, com ele, construindo juntos novas opções de procedimentos.

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Informe  03  – ESTRATÉGIA DE ATER  PARA  A  AGRICULTURA  FAMILIAR (continuação)  

Fundamentos (O Atendimento Sistematizado da Ater)

 

Como já vimos, o  papel educativo da Ater está apoiado em 4 grandes vertentes, quais sejam: o apoio à organização e à gestão dos agricultores; a apropriação de tecnologias  pelos agricultores,no âmbito econômico, social e ambiental;a facilitação  do acesso às políticas públicas e a integração com a pesquisa, visando  encontrar  soluções para os problemas detectados  pelos agricultores e extensionistas.

 

Para que o desempenho do seu papel  seja realizado com qualidade, é  fundamental  que  a prestação de Ater se faça, de maneira contínua e sistemática, estabelecendo-se um processo recíproco de interação entre o extensionista e os grupos de agricultores assistidos.

 

Com a finalidade de que realmente seja estabelecido o vínculo extensionista/agricultor familiar, a Ater , a cada grupo assistido, deverá ser pelo menos, semana/quinzenal. O extensionista, no dia da semana préfixado, chegará à área geográfica, que se constitui a base do grupo assistido e, durante a manhã, realizará de 03 a 05 visitas a membros diversos do grupo(homens,mulheres e jovens), onde se inteirará das atividades individuais/grupais dos membros do grupo, ocorrências e problemas do grupo/comunidade, ouvindo seu público e prestando Ater, elaborando estratégias e planos para resolução dos problemas detectados

 

No período da tarde,com base no que foi constatado, na manhã de ação, o extensionista poderá reunir todo ou parte do grupo, para uma ação coletiva de identificação, diagnóstico de problemas, elaboração de planos de ação, realizando ou programando uma capacitação/sensibilização, ou  outro qualquer método grupal(demonstração,excursão etc.)

 

Os Passos do Atendimento Sistematizado

 

Todas as ações de prestação da Ater Sistematizada,  aos agricultores familiares, desenvolvidas, ao longo do tempo,estão enquadradas como ações de conhecimento da realidade, ações de programação e ações de execução,acompanhamento e avaliação, constando de 12 passos.

 

I-Conhecimento do ambiente onde será desenvolvida a prestação de Ater (clima,solo,topografia…);
II-Conhecimento das pessoas(agricultores,lideranças,instituições…);
III-Formação dos grupos de interesse:organização dos grupos de agricultores com interesses comuns, em função das potencialidades locais, estimulando as relações de gênero(mulheres)e geração(jovens e idosos) na estruturação dos grupos.
IV-Identificação e diagnóstico(causas e efeitos) de problemas,necessidades e potencialidades na perspectiva de aprofundamento e compreensão da realidade e das possibilidades de mudanças;

 

V-Agrupamento de problemas por campo econômico,social,cultural, político e ambiental, buscando compreender a correlação que existe entre eles.
VI-Priorização e hierarquização de problemas: elencar os problemas, necessidades e potencialidades, em ordem de importãncia, buscando a compreensão dos “porquês” dos problemas e as possíveis opções  de ação, pensando na possibilidade de transformar as potencialidades em ações.
VII-Definição e análise da viabilidade das alternativas de ação: fazer um estudo participativo de viabilidades de alternativas de ação, sob o ponto de vista social , econômico, ambiental, cultural e político, mediante o intercâmbio de informações entre agricultores e extensionistas e demais atores sociais.

 

VIII-Seleção das alternativas: definição participativa das alternativas que melhor respondam aos desafios diagnosticados.
IX-Elaboração de estratégias e planos de ação: a partir das opções  selecionadas, elaborar com os diversos grupos de interesse estratégias e planos de ação/projetos a serem implementados, envolvendo os parceiros e negociando sua participação nas ações a serem implementadas.
X-Formação e capacitação de agricultores e extensionistas: processo pedagógico relacionado à construção de conhecimento que proporciona desenvolver habilidades e competências.Processo definido de forma participativa entre os diversos grupos de interesse,a partir das necessidades de qualificação definidas pela seleção das alternativas(ítem VIII).

 

XI-Execução dos planos de ação:trata-se da execução das atividades, constantes dos diversos planos de ação dos grupos de interesse, que oportuniza aos agricultores a materialização da experiência do planejamento.
XII-Acompanhamento e avaliação dos planos de ação:constitui uma ação permanente do extensionista, tal qual está descrita no ítem 4(atendimento sistematizado da Ater), ao longo da implementação dos planos de ação dos grupos de agricultores familiares, e orienta-se por uma analíse crítica e participativa dos resultados(parciais e finais), em função dos objetivos definidos. Possibilita identificar as dificuldades e necessidades de mudança de estratégia, na perspectiva  do aprimoramento dos diversos planos de ação dos grupos de interesse, trabalhados pela Ater, inclusive, com a reorientação das ações, quando necessário.

 

O apoio à implementação dos planos de ação deve também ser prestado, via assessoramento dos técnicos especialistas dos escritórios regional e estadual, necessitando,para tanto, do aporte de recursos financeiros e materiais.

 

O Atendimento Sistematizado da Ater promoverá a plena realização dos agricultores familiares assistidos, a otimização do uso dos recursos das políticas públicas e o crescimento técnico-metodológico dos extensionistas.

 

José Roberto R.Vieira
Engenheiro Agrônomo da Ematerce
Articulador da Rede de Metodologias Participativas
doc. série metodologias participativas
21-08-2013