SÉRIE METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS / EXTENSÃO RURAL 07
21 de outubro de 2013 - 03:00
SÉRIE METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS / EXTENSÃO RURAL 07
Resumo Histórico (A Evolução da Ater )
Nas décadas de 60 e 70, os enfoques de desenvolvimento rural respaldavam-se na transferência de tecnologias(difusionismo) e na ausência da participação dos beneficiários, tanto na elaboração quanto na execução dos projetos.
Com a mudança do foco para Agricultura Familiar, em meados dos anos 60, a Ater(Assistência Técnica e Extensão Rural) passou a priorizar a participação dos agricultores, na elaboração e execução dos projetos, com o uso de METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS, em que o papel do técnico não é mais o de convencer o agricultor, mas o de vencer, com ele, construindo juntos novas opções de procedimentos.
Informe 07 -A ESTRATÉGIA DE ATER PARA AGRICULTURA FAMILIAR (continuação)
Fundamentos : INTEGRAÇÃO COM A PESQUISA AGRÍCOLA
Como já vimos, o papel educativo da Ater está apoiado em 4 grandes vertentes, quais sejam: o apoio à organização e à gestão dos agricultores; a apropriação de tecnologias pelos agricultores no âmbito econômico, social e ambiental; a facilitação do acesso às políticas públicas e a integração com a pesquisa agrícola, visando encontrar soluções para os problemas detectados pelos agricultores , extensionistas e referendados pelos pesquisadoores.
No que diz respeito à atividade integração com a pesquisa agrícola, é fundamental que as tecnologias, geradas pela pesquisa, alcancem os agricultores e sejam socialmente apropriadas por eles(vide informativo 05), via ação educativa da Ater(Assistência Técnica e Extensão Rural).
Para que tal fato possa se concretizar, a Extensão Rural Pública(Ater) tem que ser transformada em um serviço altamente qualificado e a criação da Anater-Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural poderá,em muito, contribuir para isso.
Sabemos que estas mudanças não vão acontecer, da noite para o dia, mas, o ritmo da transformação será diretamente proporcional à vontade política da pesquisa e da extensão rural, na medida em que forem sendo resolvidos os conflitos existentes. O êxito da integração dependerá, também, da existência de um respeito mútuo, entre as parceiras, já que a pesquisa e a extensão rural são serviços complementares. A chegada da informação (tecnologia) aos agricultores muito dependerá da competência e da capilaridade da Ater, e das informações da pesquisa aplicada.
Não se deve desconhecer,todavia, que existe uma carência muito grande de opções tecnológicas, adequadas às condições socioeconômicas dos agricultores familiares, fazendo com que os mesmos subsistam à custa de métodos de produção agropecuária, extremamente, ineficientes. Isto é plenamente justificável vez que as pesquisas desenvolvidas, geralmente, não têm levado em consideração os sistemas de produção, adotados pelos agricultores familiares, ofertando, apenas, tecnologias por produto, que sugerem o uso intensivo de insumos modernos e de capital, bens de acesso limitado ao agricultor familiar e que descaracterizam suas formas de exploração, em que predominam pouco uso de insumos e a utilização da mão de obra familiar. Urge a intensificação da articulação pesquisa-extensão rural, para minimizar o problema, encontrando soluções alternativas.
Por intermédio de uma integração mais eficiente,os principais problemas dos agricultores, detectados nos grupos assistidos pela Ater(atendimento sistematizado), serão repassados à pesquisa que fará uma seleção e buscará as soluções para os mesmos, apresentando opções alternativas para a Ater que as adaptará, de forma participativa, em função dos problemas sentidos pelos agricultores. Grandes temas como a educação ambiental e outros serão debatidos com os agricultores para sensibiliza-los para adoção de novas tecnologias.
Dentro deste contexto os agricultores e suas organizações deverão estar bastante integrados e discutindo que atividades do setor produtivo deverão ser enfatizadas pela extensão rural e pela pesquisa.
A pesquisa agrícola, por sua vez,, deverá desenvolver uma pesquisa aplicada, que se inicia e termina no problema real encontrado nos sistemas de produção. A postura participativa é fundamental para desenvolvimento das atividades da pesquisa e da extensão rural com os agricultores.
Participar é fazer parte do grupo, tomar decisões e ter parte nos resultados; é fazer parte de um processo, acompanhando-o em todas as fases, com decisões coletivas.
Dentro de um processo participativo todos(pesquisadores, extensionistas e agricultores) podem emitir opiniões, concordar e discordar.
A abordagem participativa envolve compreensão e não pressupor a ignorância do agricultor. É admitir que o agricultor tem um conhecimento empírico e que seu conhecimento antes de ser descartado, precisa ser entendido e reconhecido, mesmo que depois venha a ser transformado. Piaget já dizia que “não se pode subestimar a capacidade de ninguém”. É importante a valorização da inteligência e da criatividade do agricultor. A participação é uma necessidade humana, exigindo um diálogo ativo e a condução compartilhada do processo, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica.
Com a melhoria da articulação pesquisa x extensão x agricultor é de se esperar a construção de novos sistemas de produção, em harmonia com o meio ambiente. A saída para a evolução é a socialização das experiências dos agricultores e o rádio é um dos meios de grande eficiência para tal fim. A produção de impressos como folderes, folhetos e cartilhas desempenha preponderante papel na socialização dessas experiências .
José Roberto R.Vieira
Engenheiro Agrônomo da Ematerce
Articulador da Rede de Metodologias Participativas
doc. série metodologias participativas 06
17-10-2013